Três colunas de proposta; a mais baixa está tracejada por lhe faltar âmbito.

6 de agosto de 2026

Três orçamentos, e o mais barato não ganha

Como comparamos respostas a uma consulta sem cair na armadilha do preço mais baixo — e porque é que um orçamento incompleto nunca fica em primeiro lugar.

Quando um briefing entra na Scallent, não escolhemos a dedo quem o vai fazer. Fazemos uma consulta: o briefing vai para todos os perfis da pool que cumprem os critérios daquele trabalho, e quem quiser responde com um orçamento.

A parte interessante começa depois, quando estão três ou cinco respostas em cima da mesa e é preciso decidir.

Porque é que o preço não decide sozinho

O reflexo é ordenar por total e ficar com o de baixo. É um reflexo mau, por uma razão simples: um total só é comparável se estiver a comparar a mesma coisa.

Aconteceu-nos ao construir isto. Numa consulta de teste com cinco respostas, o sistema pôs em primeiro lugar a proposta mais barata. Ao olhar melhor, a proposta mais barata era mais barata porque só tinha orçamentado metade das linhas do briefing. Não era a melhor: era a mais curta.

Corrigimos duas coisas. Primeiro, uma resposta incompleta fica sempre atrás de todas as respostas completas, independentemente da pontuação — não é uma penalização, é uma categoria diferente. Segundo, o preço mediano usado como referência passou a calcular-se só sobre as respostas completas, porque uma proposta a metade do âmbito estava a puxar a mediana para baixo e a fazer as propostas sérias parecerem caras.

O que entra na comparação

Cada resposta é lida em cinco eixos, e nenhum deles é suficiente por si:

Preço. Não o mais baixo — a distância à mediana das propostas completas. Muito acima explica-se; muito abaixo também precisa de explicação.

Aderência. O quanto o perfil corresponde ao que o briefing pediu. Não é "é bom designer": é "faz arte final para gráfica", quando o briefing acaba numa tipografia.

Prazo. O que a pessoa se compromete a entregar, contra o que o projecto precisa. Um prazo mais curto vale, mas não vale mais do que o prazo de que se precisa.

Cobertura. Quantas linhas do âmbito é que a resposta orçamenta. É aqui que a proposta mais curta se revela.

Histórico. Trabalho anterior com a Scallent, avaliado. Não é antiguidade — é o que correu bem antes.

O que a matriz faz e o que não faz

A matriz ordena. Não decide.

O que ela dá é uma leitura honesta de cinco respostas em vez de uma leitura enviesada por aquela que chegou primeiro ou por aquela cujo nome nos é mais familiar. Depois há sempre contexto que não cabe numa pontuação: a pessoa que está a acabar outro projecto seu e conhece a marca, o cliente que já trabalhou com alguém e prefere não repetir, a nuance do briefing que não se traduziu em critérios.

Essa decisão é humana e continua a ser nossa — e é por isso que a assumimos perante si em vez de lhe mandarmos cinco PDFs para escolher.

E para quem responde

Se estás na pool, isto interessa-te de forma prática: orçamenta todas as linhas que consegues fazer, e desliga explicitamente as que não fazes.

Desligar uma linha não te tira da consulta. Deixá-la em branco põe a tua resposta na categoria das incompletas, atrás de todas as outras — e uma boa proposta pode perder por não ter dito que não a uma linha.

Diga-nos o problema. Nós dizemos quem o resolve.

Meia hora de conversa. Se não for trabalho para nós, dizemos nessa conversa.